Faculdade de Ciências
Farmacêuticas de Ribeirão Preto

Universidade de São Paulo

IDIOMAS: | INTRANET

Resenhas

INSTRUMENTOS da prática CLÍNICA devem ser VALIDADOS?

Validação de instrumentos de coleta de dados

A validação é necessária durante o processo de elaboração de instrumentos de estudo para certificar-se de que tal instrumento é capaz de mensurar aquilo que o mesmo se propõe a mensurar, principalmente quando o objetivo é mensurar aquilo que é intangível, como por exemplo, o construto conhecimento sobre dispensação do medicamento.

Caso já exista na literatura um instrumento com os objetivos da pesquisa em questão é recomendado que seja utilizado o mesmo pois elaborar e validar um instrumento demanda muito tempo e trabalho.

Para iniciar a elaboração de um instrumento é necessário determinar o objetivo que se almeja alcançar com tal instrumento. Depois da definição do objetivo, devemos selecionar os conceitos, ou construtos que serão contemplados no instrumento a ser construído. A maioria dos autores recomenda realizar uma revisão da literatura sobre o tema.

Além disso, é importante nessa etapa, a utilização de abordagens de cunho qualitativo por meio de entrevistas individuais e/ou coletivas com pessoas relevantes para a pergunta da pesquisa.

Se o instrumento elaborado for auto preenchível trata-se de um questionário; caso contrário trata-se de um formulário.

Nas etapas subsequentes, para a avaliação das propriedades psicométricas pode ser utilizado: a Teoria Clássica dos Testes (TCT) e/ou a Teoria de Resposta ao Item (TRI).

A metodologia descrita a seguir utilizou a Teoria Clássica dos itens e foi baseada nas recomendações de Streiner, Norman (2008); Tewee, et al (2007) e de Pasquali (2010).

Terwee et al (2007) definiram oito atributos que devem ser considerados ao realizar a validação de um questionário estruturado, são estes: validade de conteúdo; análise da consistência interna; validade de critério, validade de construto; reprodutibilidade; responsividade; efeito do limite máximo e mínimo (floor and ceiling effects) e interpretabilidade.

A validação de conteúdo, também conhecida como validação de face e conteúdo, objetiva mostrar se os conceitos de interesse no referido questionário foram contemplados de maneira clara e pertinente. Nessa etapa pode-se utilizar a banca de

juízes e aplicar o questionário para uma pequena amostra com o objetivo de identificar dificuldades na interpretação do questionário.

Para a realização das etapas subsequentes, é necessário aplicar o questionário em uma amostra maior do que a anterior. O tamanho dessa amostra é bastante variável na literatura.

É essencial no processo de validação adicionar a análise da consistência interna que é a medida do quanto os itens do questionário estão correlacionados, ou seja, verificar a capacidade dos itens de medirem em conjunto um mesmo construto. Para realizar essa análise, é necessário calcular o alfa de Cronbach’s (para questionários com possibilidade de múltiplas escolhas) ou o teste de Kurder-Richardson (KR-20) para itens dicotômicos.

Dando andamento ao processo da validação, podemos citar também a validade de critério que se caracteriza pela avaliação da capacidade do instrumento em questão de apresentar a mesma medida em comparação a um instrumento já existente na literatura considerado o “padrão ouro”, ou seja, que mede o mesmo construto nas mesmas condições estabelecidas do instrumento a ser validado.

Outro fator considerado é a validade de construto a qual se caracteriza pela análise preliminar correlacionando o score atingido no questionário em diferentes subgrupos com a hipótese do questionário.

Na análise da reprodutibilidade é avaliado o quanto o questionário apresenta a mesma medida aplicando duas vezes na mesma amostra em tempos distintos, ou seja, realizando o teste – reteste. Enquanto que a responsividade pode ser definida como a capacidade do questionário detectar mudanças que podem ocorrer ao longo do tempo nos respondentes e também é avaliada através do teste – reteste.

Além desses fatores, no processo de validação também é necessário avaliar a presença nos resultados do teste piloto de scores mínimos e máximos respectivamente. A presença dos valores extremos pode indicar limitações na validade de conteúdo.

A interpretabilidade pode ser definida como o grau em que se pode atribuir um atributo qualitativo a um score quantitativo.

Literatura complementar:

STREINER, D. L.; NORMAN, G. R. Health measurement scales. A practical guide to their development and use. 4 ed. New York: Oxford University Press; 2008.

TEWEE, et al, Quality criteria were proposed for measurement properties of health status questionnaires. Journal of Clinical Epidemiology, v. 60, p. 34-42, 2007.

Pasquali, L. Psicometria. Rev Esc Enferm USP, v. 43, p. 992-999, 2009.

Autora: Ana Maria Rosa Freato Gonçalves
http://lattes.cnpq.br/7608125904375995

Idosos e os perigos Medicamentosos. (URM 8)

Diante o rápido processo de envelhecimento populacional brasileiro e das particularidades de uso de medicamentos pelos idosos, o profissional farmacêutico, com sua expertise em relação às peculiaridades dos medicamentos, torna-se essencial para a promoção do Uso Racional de Medicamentos nesta faixa etária que tanto merece nosso carinho, respeito e cuidado.
Se vocês quiserem entender um pouco mais a respeito do uso de medicamentos por idosos, clique no vídeo do Cliniquei Farmácia sobre este assunto...

Autores: Dr. André de Oliveira Baldoni (http://lattes.cnpq.br/3824281910310349)
Me. Rodrigo Rodrigues da Silva (http://lattes.cnpq.br/5279230522813397)

Os cuidados no uso da Varfarina (URM 7)

Anticoagulantes são substâncias que atuam em algum ponto da cascata de coagulação, impedindo que esta aconteça, evitando assim a coagulação do sangue. Os medicamentos anticoagulantes são indicados para a prevenção primária e secundária do tromboembolismo venoso, na prevenção do embolismo sistêmico em pacientes com prótese de válvulas cardíacas ou fibrilação atrial e na prevenção do acidente vascular cerebral, do infarto agudo do miocárdio e da recorrência do infarto.
No Brasil os anticoagulantes mais utilizados são a heparina, enoxaparina e a varfarina. Os dois primeiros são mais utilizados em ambiente hospitalar devido a sua administração endovenosa, enquanto que a varfarina possui apresentação oral e é disponibilizado pelo SUS.
A varfarina é um medicamento com um alto índice de reações adversas, estando entre os dez medicamentos com o maior número de relatos de eventos adversos graves apresentados durante as décadas de 1990 e 2000 no sistema de notificação de EAM da Food and Drug Administration (FDA). Entre as reações adversas decorrentes do uso da varfarina, a hemorragia se apresenta como uma das mais graves, levando muitas vezes o paciente a internação, transfusão sanguínea e até ao óbito. E a grande dificuldade apresentada pelo uso da varfarina está na sua estreita faixa terapêutica, na grande variabilidade da dose-resposta ao tratamento e na interação com muitos fármacos e alimentos ricos em vitamina K.
Preocupados com o manejo do uso desse fármaco, o CPAFF vem realizando estudos de sua utilização desde 2004, sendo observado que aproximadamente 12% dos pacientes que utilizam a varfarina apresentam eventos hemorrágicos durante o período de internação hospitalar. Enquanto que os pacientes que fazem uso da varfarina em domicílio a frequência de relatos de alguma reação adversa foi de aproximadamente 63%.
Diante deste cenário, o seu uso implica em um acompanhamento por profissionais de saúde, como o farmacêutico, pois é necessária uma monitorização rigorosa do tratamento farmacológico, independentemente do local que o paciente fará uso, realizando regularmente os exames de coagulação sanguínea. Atrelado a isso, é necessária uma boa compreensão sobre a terapia anticoagulante por parte do paciente, mantendo-se sempre informado quanto a segurança do uso de um novo fármaco ou mudança do padrão de alimentação. Por fim, é importante garantir que a dose da varfarina esteja sempre ajustada ao paciente individualmente, considerando seu perfil genético, comorbidades e outras terapias farmacológicas em uso.

Autora: Helen Palmira Mirande de Carmago Souza
http://lattes.cnpq.br/9363452796169505

Conhecendo mais sobre Hepatite C (URM 6)

A hepatite C é uma doença que possui um impacto elevado para o sistema de saúde público, pois o tratamento e as complicações desta doença custam muito dinheiro. Além disso, a farmacoterapia é tão complexa quanto o desenvolvimento da própria doença, assim a adesão do paciente ao tratamento desta doença é fundamental para o sucesso terapêutico. Dessa forma, o farmacêutico torna-se peça importante para ajudar o paciente a atingir esse sucesso. Então vamos aprender um pouco?
A hepatite C é uma doença que pode ser causada por uma infecção viral. A principal via de transmissão deste vírus é por meio do sangue contaminado, portanto as principais fontes de contágio são o compartilhamento de seringas e agulhas no uso de drogas injetáveis, em alguns procedimentos médicos (como endoscopia e transfusão de sangue) e procedimentos odontológicos realizados sem o devido cuidado necessário, compartilhamento de instrumentos de manicure e pedicure sem esterilização adequada. A via sexual também é fonte de transmissão, porém é mais rara. E por fim, a transmissão vertical, ou seja, da mãe para o bebê.
O diagnóstico da doença é muito difícil de ser realizada, pois os sintomas da doença na fase aguda são muito inespecíficos, podendo ser confundido com outras doenças comuns. Dessa forma, o paciente pode portar a doença por um longo período sem que seja realizado algum tratamento, assim a doença evolui para a fase crônica, fase na qual é realizado a maioria dos diagnósticos da doença.
E qual é o tratamento?
Até o final da década passada, o tratamento era baseado em dois fármacos o peginterferon, que atua na modulação da nossa resposta imune e a ribavirina, que impede que nossas células produzam o RNA deste vírus. No entanto, a eficácia desta farmacoterapia era muito discreta, e os efeitos adversos bem frequentes.
Atualmente, os esquemas farmacoterapêuticos possuem uma atividade direta, ou seja, atuam no ciclo de reprodução do vírus. Portanto, não há utilização de interferon, evitando o aparecimento de efeitos adversos, como aqueles que acontecia com o tratamento antigo.
De acordo com o protocolo brasileiro o tratamento da hepatite C crônica, o tratamento é indicado para aqueles indivíduos que estiver em um estágio bem avançado de fibrose hepática, e a escolha do esquema farmacoterapêutico depende da clínica e do genótipo viral do paciente.
O principal objetivo do tratamento é evitar as complicações, como a cirrose hepática, carcinoma hepatocelular. A adesão ao tratamento é fundamental para que seja atingido o principal objetivo do tratamento que é evitar as complicações como a cirrose hepática. Além disso, os medicamentos utilizados possuem muitas interações com outros comumente utilizados, como a digoxina, estatinas, antirretrovirais. Por isso, o farmacêutico tem um papel muito importante no sucesso terapêutico do paciente.

Autores: João Paulo Vilela (http://lattes.cnpq.br/5007650794235010) e Bruna Forte Aguiar (http://lattes.cnpq.br/2892306639309222)

Psicose Medicamentosa. Medicamentos psicoativos (URM5)

Quer saber um pouco sobre Rivotril e os famosos medicamentos para dormir, café e estimulantes, inibidores do apetite?? Vamos falar um pouco sobre eles, o psicoativos!
Psicoativo é um termo genérico que abrange substâncias químicas que agem no Sistema Nervoso Central e são capazes de exercer efeito sobre a nossa função psicológica. Apesar de a maior parte das pessoas associar esse termo às drogas ilícitas ou aos famosos medicamentos “tarja preta”, os psicoativos são mais presentes na nossa rotina do que imaginamos (Sabe aquele cafezinho que você respeita? Então, a cafeína, seu principal componente, é o psicoativo mais popular do mundo)
E o que o meu inocente-e-santo-milagreiro-café-de-todo-dia tem a ver com uso racional de medicamentos psicoativos? - você deve estar se perguntando. Bem, é simples. Por ser considerado um alimento, seus efeitos psicoestimulantes (tais como aparecimento de sintomas de ansiedade, psicóticos e de insônia) acabam muitas vezes sendo negligenciados, e seu uso abusivo pode desencadear um problema de saúde passível de tratamento com esses medicamentos e que poderia até ter sido evitado ou minimizado.
Os medicamentos psicoativos são hoje indicados em uma série de problemas de saúde físicos (dor neuropática, enxaqueca, dor crônica do câncer), mas são utilizados na maior parte para tratamento de transtornos mentais. Diferente da conotação vulgar dada pelos leigos a esse termo, os transtornos mentais referem-se a uma série de condições médicas que afetam um indivíduo quanto aos seus pensamentos, humor, emoções, habilidades de se relacionar com outras pessoas e funcionalidade diária. Ou seja, são muito mais comuns do que se imagina.
O principal risco de alguns medicamentos psicoativos é o desenvolvimento de dependência física e/ou psíquica consequente de dosagens inadequadas, interrupção abrupta do tratamento ou ainda exposição por tempos maiores do que os recomendados.
Dessa forma, o farmacêutico tem papel fundamental no uso racional dos medicamentos psicoativos, seja na promoção da adesão ao tratamento médico proposto, ou no manejo da terapia medicamentosa com base nas particularidades dos grupos mais susceptíveis ao uso destes medicamentos (mulheres, idosos e aqueles que não praticam atividade física).

Na aba DISSERTAÇÕES E TESES CONCLUÍDAS você pode encontrar o trabalho realizado pela mestre Manuela S Morello, que realizou um trabalho como medicamentos psicoativos "Medicamentos psicoativos na rede pública de saúde de Ribeirão Preto-SP: perfil de utilização e fatores associados".

Autora: Me. Manuela Roque Siani
http://lattes.cnpq.br/7599498561736809

Se não tomar o bicho pega, se tomar o bicho pega também. Antibióticos (URM parte 4)

Prosseguindo às nossas discussões a respeito do uso racional de medicamento, hoje iremos discutir sobre uma classe terapêutica específica: os antibióticos.

Hoje é comemorado o dia Nacional de Controle de Infecções Hospitalares, assunto que está totalmente relacionado com uso racional de antimicrobianos. Vocês conhecem o paradoxo da antibioticoterapia??

Então, esta é uma expressão utilizada por alguns cientistas para justificar a situação atual que estamos passando em relação às doenças infecciosas. Os antibióticos são medicamentos que possuem como princípio ativo uma substância capaz de matar ou interromper o crescimento de microrganismos como bactérias ou fungos. No entanto, sua utilização inadequada pode estimular o surgimento de infecções também. Como pode?

As bactérias são microrganismos com um potencial muito grande de desenvolver mutações genéticas, e um dos fatores estimulantes para estas mutações ocorrerem é o contato com moléculas antibióticas, quanto mais se expõe estes microrganismos a estas substâncias, maior a probabilidade de crescimento de cepas resistentes a este antibiótico.

Outro ponto importante é a grande possibilidade destes medicamentos destruírem as bactérias naturais dos nossos organismos, desprotegendo nosso corpo da invasão de microrganismos patogênicos.
E, por fim a utilização continuada de antibióticos pode levar as bactérias naturais do nosso organismo a desenvolverem resistência aos antibióticos. Desta maneira, se estes forem causadores de alguma infecção, o arsenal terapêutico estará bem restrito a poucos antibióticos, dificultando uma farmacoterapia segura e eficaz.

Autor: Me. Lucas Borges Pereira
http://lattes.cnpq.br/8109091245356805

O seu juiz, me da meu remédio ai. Judicialização da Saúde (URM parte 3)

Uso Racional de Medicamentos: Judicialização dos Medicamentos

"A saúde é um direito de todos e um dever do Estado..."

A constituição nos garante o direito a saúde cabendo ao estado prover de quaisquer que sejam as condições para que esse direito seja atingido, logo me parece plausível entender que a via judicial é uma garantia desse direito constitucional e uma saída frente a possíveis ineficiências do Estado.

No entanto, a gestão pública é constantemente bombardeada com ações judiciais que obrigam o município a adquirir um determinado medicamento. E quando isso acontece, existe uma ruptura do percurso normal de aquisição de um medicamento, já que o gestor precisa dar prioridade para aquele produto visto que é preciso cumprir a ordem judicial. E para fazer isso, muitas vezes é necessário repensar o meu planejamento, deslocando dinheiro de uma área e utilizando para aquisição desses medicamentos, assim, para atender um pessoal, muitas outras são prejudicadas.

A judicialização é boa ou ruim? A verdade é que ela é importante para uma série de pacientes que sem as quais, não teriam um tratamento adequado. O próprio tratamento contra HIV, hoje é público, um pouco, por influência de ações judiciais nos anos 90. Mas é inegável os prejuízos a gestão pública.
A judicialização existe e sem nenhuma previsão de acabar, o que nós profissionais precisamos é aprender a lidar com ela, a administrar e reduzir os impactos negativos. E é aí que entra o Uso Racional de Medicamentos!

• Prescrições desenfreadas de medicamentos não compreendidos pelas listas oficiais;
• Falhas terapêuticas por falta de adesão;
• Valorização dos medicamentos da moda;
• A falta de um profissional por perto para acompanhar a terapia medicamentosa.

Enfim, são todos fatores que contribuem para o aumento dos processos judiciais para aquisição de medicamentos. Assim, o investimento em programas de uso racional de medicamentos, além de trazer segurança aos pacientes, contribui financeiramente com o sistema público.

Para ilustrar a importância do impacto da judicialização de medicamentos na saúde pública, e o porquê seu uso indiscriminado está ligado a utilização irracional de medicamentos assista ao vídeo elaborado pelo CPAFF e divulgado no canal Cliniquei Farmácia:
https://www.youtube.com/watch?v=fBinYQOuJK0

Autor: Me. Lauro Cesar da Silva Maduro
http://lattes.cnpq.br/6457641506522281

Futuras mamães, vamos falar de medicamento? (URM parte 2)

Continuando nosso mês sobre o Uso Racional de Medicamentos, hoje iremos falar um pouco para vocês sobre o uso destes medicamentos em gestante.

Se antes já ressaltávamos que a utilização de medicamentos em qualquer paciente era de extrema importância, agora quando falamos de gestantes esta importância aumenta com certeza, pois agora temos dois pacientes que utilizam medicamento ao mesmo tempo (a mãe e o bebê).

Mas a placenta não tem a função a função de impedir de maneira seletiva o que irá passar para o feto ou não? Pois bem, ela tem esta função, mas muitos medicamentos tem a capacidade de atravessá-la, além disso alguns destes podem ter efeitos teratogênicos ao feto, ou seja, podem causar malformações. Lembrem-se do caso da talidomida, cuja indicação era evitar o enjoo da gravidez, mas infelizmente levou ao surgimento de muitos bebês com malformações.

O ideal seria evitar a utilização de medicamentos, porém o risco de agravar algum problema de saúde pode ser mais perigoso, do que a utilização do medicamento. Por isso, a FDA (Food and Drug Administration) propôs uma classificação de risco para os medicamentos em relação a sua utilização por gestantes, dessa forma ajudando o médico na tomada de decisão sobre a prescrição ou não de determinado medicamento.

Pensando nisso, o canal do CPAFF no youtube fez um vídeo muito legal sobre essa questão... clique no link abaixo e confira:
https://www.youtube.com/watch?v=ZZ8Nslt6JO0

Autor:Dr. Michelly Martins Nagai
http://lattes.cnpq.br/2908054928336120

Pílula do bem ou do mal? (URM parte 1)

No dia 05 de Maio é comemorado o dia Nacional pelo Uso Racional de Medicamentos.

O CPAFF não podia ficar fora desse movimento, dessa forma, pensando nisso nós iremos abordar em todas as nossas redes sociais (Youtube, Facebook e Instagram) por todo mês de maio essa importante questão que é a utilização correta de medicamentos.

Para abrirmos nossa discussão, o Cliniquei Farmácia (nosso canal no Youtube) lançou um vídeo sobre a definição e importância do Uso Racional de Medicamentos. Para assistir clique no link:
https://www.youtube.com/watch?v=8VvYnYQdzP0

Cuidar de pessoas faz bem

E o CPAFF vem desejar a todos uma feliz Páscoa!!
Independente da sua religião ou ausência dela é muito importante parar um pouco e refletir sobre alguns aspectos de nossos caminhos dentro da profissão farmacêutica, e por que não de nossas aspectos de nossa vida??

Pensando nisso, e para dar aquela amarrada no assunto discutido na semana sobre acompanhamento farmacoterapêutico, o Clinique Farmácia trouxe um vídeo de um relato sobre o início e desenvolvimento de um serviço de Acompanhamento Farmacoterapêutico, que teve a participação de um dos integrantes do CPAFF.

Acompanhamento Farmacoterapêutico

ERRATA: Cometemos um pequeno equívoco, o certo é resolução CFF 585/2013 e não 589 conforme mencionado.

Os inúmeros erros de medicação, internações devido a intoxicações por uso incorreto de medicamentos e ineficácia terapêutica promovendo progressão de muitas doenças criaram uma demanda que levou o Conselho Federal de Farmácia a entender a importância do profissional farmacêutico em atividades clínicas e assim elaborou a resolução 585/2013, atribuindo ao farmacêutico a possibilidade de atuar em atividades clínicas.

Dentre estas atividades, gostaríamos de destacar o acompanhamento farmacoterapêutico que é um processo no qual o farmacêutico se responsabiliza pelas necessidades do usuário relacionadas ao medicamento, por meio da detecção, prevenção e resolução de problemas relacionados aos medicamentos, de forma sistemática, contínua e documentada, com o objetivo de alcançar resultados definidos, buscando a melhoria da qualidade de vida do usuário (definição do Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica, 2002).

No entanto, não há oferta de serviço suficiente para todos os consumidores de medicamentos, assim cabe ao farmacêutico selecionar e oferecer o serviço àqueles que necessitem mais. Pensando nisso, o CPAFF desenvolveu um formulário para a seleção de pacientes hipertensão para incluí-los em um serviço com acompanhamento farmacoterapêutico.

Este estudo foi desenvolvido pela nossa ex-aluna e atual docente da Universidade Federal do Piauí, Bia Girolineto. Se vocês quiserem conhecer mais sobre o instrumento, é só entrar em contato com ela.

Autora: Dr. Beatriz Maria Pereira Girolineto
http://lattes.cnpq.br/7913361822561228

Que idioma é esse? Prescrições médicas

Prescrição de medicamentos

O uso de medicamentos é fundamental para o tratamento de muitas doenças, porém apresenta riscos, especialmente quando ocorre de forma irracional. A prescrição é um componente fundamental para que o uso do medicamento seja racional.

Uma boa prescrição deve conter o mínimo de medicamentos necessários com a menor chance ocorrência de reações adversas, inexistência de contraindicações, ação rápida, forma farmacêutica adequada ao perfil do paciente, posologia simples e uso pelo menor período possível. A prescrição de medicamentos deve considerar não apenas a doença e os medicamentos, mas também as características sociais e econômicas do paciente. O prescritor precisa levar em consideração, por exemplo, se o medicamento é fornecido pelo SUS, se o paciente tem condição de comprar, se o paciente tem a instrução necessária para administrar o medicamento corretamente ou se possui um cuidador, portanto a prescrição é um documento individual e intransferível.

No Brasil, a Lei nº 5.991/1973 regulamenta quais informações devem obrigatoriamente estar contidas na prescrição para que o medicamento possa ser dispensado. Esta lei foi criada com a finalidade de prevenir erros de medicação e fornecer valor jurídico à prescrição.

De acordo com a legislação, a prescrição de medicamentos deve estar escrita em português e com letra legível, para garantir que o paciente e o farmacêutico compreendam claramente a decisão terapêutica e o modo de administração do medicamento. A escrita a tinta é obrigatória, porque dificulta a ocorrência de falsificações.

A prescrição também deve conter informações específicas sobre o paciente para quem foi emitida (nome e endereço). A falta de identificação do paciente facilita a ocorrência de fraudes e falsificações, promovendo o uso abusivo ou ilícito de medicamentos. Além disso, a falta de informações do paciente compromete o contato da farmácia após a dispensação, caso seja necessário.

A identificação do prescritor (nome, endereço, número de inscrição no conselho profissional e assinatura) também é exigida para possibilitar o contato do paciente e do farmacêutico com o prescritor em caso de dúvidas e para responsabilizá-lo em caso de erro médico.

As informações sobre os medicamentos prescritos (forma farmacêutica, dose, via de administração, posologia e duração do tratamento) também são obrigatórias pela legislação.

Um mesmo fármaco pode ser comercializado em diferentes formas farmacêuticas e doses. A falta destes itens em uma prescrição pode fazer com que o medicamento errado seja dispensado, podendo provocar sérias consequências para a saúde do paciente.

A presença da via de administração também é fundamental para que o paciente não administre o medicamento por uma via contraindicada, expondo-se a danos que podem ser letais.

A posologia ausente ou incompleta é capaz de gerar dúvidas, pois deixa de informar algumas questões importantes para o uso correto do medicamento, como: horários de tomada, interações com alimentos, modo de preparo e número de tomadas ao dia. Um paciente com dúvidas pode descontinuar a terapia ou alterar a posologia segundo a sua própria percepção, provocando ineficácia do tratamento ou complicações no quadro de saúde. Quando a posologia é incompreensível, é fundamental que o farmacêutico entre em contato com o prescritor para maiores esclarecimentos, barrando erros potenciais.

A omissão da duração do tratamento pode fazer com que o paciente pare de utilizar o medicamento antes do período ideal, dessa forma o medicamento poderá não ter o resultado desejado. No caso dos antimicrobianos, a ausência da duração do tratamento pode provocar o desenvolvimento de resistência microbiana e trazer graves problemas à saúde do paciente.

A presença da data da prescrição é exigida por lei e há um período de validade para a receita, que é variável conforme o tipo de medicamente prescrito. Este período assegura que o paciente irá retornar ao médico para reavaliar como está a sua doença e adequar os seus medicamentos, além de evitar uso abusivo dos medicamentos prescritos.

A legislação exige que as prescrições de medicamentos não contenham nenhum tipo de abreviatura, sigla ou símbolo, porque eles podem causar dúvidas e interpretações erradas na dispensação e utilização do medicamento e, consequentemente, provocar erros.

Também é desejável, especialmente para as prescrições do SUS, que os medicamentos sejam prescritos pelo seu nome oficial, pois as farmácias das Unidades de Saúde não estão autorizadas a dispensar medicamentos que estejam prescritos pelo nome comercial. A prescrição pelo nome oficial permite que o paciente retire os seus medicamentos gratuitamente ou que pague um preço menor por ele, adquirindo o genérico, o que favorece a adesão ao tratamento.

Os medicamentos de uso controlado e os antimicrobianos possuem recomendações de prescrição específicas descritas na portaria nº 344/1998 e na RDC nº 20/2011, respectivamente, como prescrição em duas vias, em receitas de controle especial e acompanhadas de notificações de receita. O controle destes medicamentos é maior porque o seu uso irracional tem potencial para provocar consequências ainda mais preocupantes, como dependência física ou química e surgimento de microrganismos multirresistentes.

É fundamental que o farmacêutico conheça todas as legislações que envolvem a prescrição de medicamentos, entenda as particularidades dos medicamentos controlados e antimicrobianos e verifique a conformidade da prescrição com os itens exigidos pela lei antes da dispensação, pois isto irá barrar erros que comprometem a adesão ao tratamento e favorecem o aparecimento de reações adversas e falhas terapêuticas.

A educação e atualização dos médicos e farmacêuticos são essenciais para que eles enxerguem a prescrição como um documento importante da farmacoterapia, que promove a diminuição de erros e a segurança do paciente. Não basta um diagnóstico correto se a prescrição não for preparada de forma racional, contendo o medicamento mais adequado às necessidades do paciente e todos as informações exigidas pela lei.

Autora: Me. Maria Olívia Barboza Zanetti
http://lattes.cnpq.br/2969504055599116

Dispensar pra quê?

As profissões têm passado por mudanças substanciais ao longo da história para que as práticas profissionais consigam atender às constantes mudanças nas necessidades da população. Assim também tem acontecido com o papel do farmacêutico na sociedade. Quando atendia nas boticas, a atuação do farmacêutico era mais artesanal e as formulações produzidas consideravam as necessidades específicas de cada indivíduo. Mas com a rápida ampliação do arsenal terapêutico e o desenvolvimento de novas tecnologias, os problemas de saúde relacionados ao uso inadequado dos medicamentos aumentaram, gerando a demanda pela reinserção do farmacêutico no processo de cuidado e na sua integração à equipe de saúde. Isso caracterizou o início da fase de cuidado da profissão farmacêutica e representou uma oportunidade de ressignificação da dispensação [1].

Recentemente, a Lei n.º 13021/2014 visou assegurar ao farmacêutico mais autonomia no contexto administrativo das farmácias, caracterizando-as como estabelecimentos de saúde. Em adição, o Conselho Federal de Farmácia, ao definir o arcabouço conceitual dos serviços farmacêuticos no país, reafirmou a dispensação como um ato privativo do farmacêutico que busca proporcionar a segurança, o acesso e uso racional dos medicamentos, reforçando o caráter de serviço de saúde que a dispensação tem na promoção do cuidado ao paciente, à família e à comunidade [2].

Apesar disso, o exercício da dispensação no Brasil ainda está se limitando a um simples ato de entrega. As atividades administrativas consomem parcela significativa da carga horária de trabalho do farmacêutico que atua em farmácias, diminuindo sua disponibilidade para os serviços clínicos. Nesse sentido, pesquisas realizadas no Brasil mostram que a finalização de vendas no caixa, a organização de prateleiras e a limpeza do estabelecimento fazem parte da rotina de trabalho do farmacêutico nas farmácias [3,4].

Embora essa realidade possa ser parcialmente explicada pelo formato fordista que configurou a dispensação após o avanço industrial do século passado, isso também pode estar relacionado com a insuficiência no preparo do farmacêutico para a realização de serviços farmacêuticos clínicos. Estudos realizados por Reis et al [4,5,6] evidenciam que cerca de três em cada quatro farmacêuticos vinculados a farmácias do setor privado não possuem conhecimento satisfatório para realizar adequadamente serviços clínicos como a dispensação. A formação em Farmácia, ainda essencialmente tecnicista, parece ser um obstáculo ao enfrentamento das estratégias de mercado que favorecem práticas inadequadas como a “empurroterapia”.

Além disso, a carência de recursos humanos qualificados para realização efetiva da dispensação e a falta de estrutura física adequada em alguns estabelecimentos de saúde desfavorecem a oferta do serviço à população, sobremaneira no setor público. Dessa forma, Reis e Pereira [7] afirmam que o papel do farmacêutico na dispensação precisa ser melhor definido e sugerem uma remodelação do fluxo de trabalho desse profissional para promover a inserção do farmacêutico na equipe de saúde e no processo de cuidado integral à saúde do usuário de medicamentos. Assim, a dispensação terá condições para alcançar, de fato, seus objetivos enquanto serviço de saúde.

REFERÊNCIAS
1. Pereira ML, Nascimento MMG. From the apothecary to pharmaceutical care: perspectives of the pharmacist. Braz J Pharm. 2011; 92(4): 245-52.
2. Conselho Federal de Farmácia. Serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente, à família e à comunidade: contextualização e arcabouço conceitual / Conselho Federal de Farmácia. – Brasília: Conselho Federal de Farmácia, 2016.
3. Nagassaki E, Fukuda EK, Yamacita FY, Perez GS, Camargo EA, Souza JMC. Avaliação da formação acadêmica dos farmacêuticos atuantes em farmácias de Londrina - PR. Infarma. 2002;3(14):54-5.
4. Reis TM, Guidoni CM, Girotto E, Rascado RR, Mastroianni PC, Cruciol JM, Pereira LRL. Pharmaceutical care in Brazilian community pharmacies: Knowledge and practice. Afr J Pharm Pharmacol. 2015;9(9):287-94.
5. Reis TM, Guidoni CM, Girotto E, Rascado RR, Mastroianni PC, Cruciol JM, Pereira LRL. Knowledge and conduct of pharmacists for dispensing of drugs in community pharmacies: a cross-sectional study. Braz J Pharm Sci. 2015;51(3):733-44.
6. Reis TM, Rocha KSS, Barros I, Santos L, Paixao FP, Almeida FHO, Lyra Junior DP, Pereira LRL. Pharmacists' Skills in Conducting Clinical Services in Community Pharmacies in Urban Areas of Northeast Brazil. Lat Am J Pharm. 2015;34(4):725-31.
7. Reis TM, Pereira ML. The Brazilian Pharmacist’s role in dispensing Drugs in the Pharmaceutical Care Scenario. J Appl Pharm Sci – JAPHAC. 2016;3(S1):11–3

Autor: Dr. Tiago Marques dos Reis
http://lattes.cnpq.br/8953945087467294

Farmácia Clínica e coisa e tal!

Esta semana falamos sobre Farmácia Clínica e suas origens e conceitos, com participação especial de nosso chefe prof. Leonardo Régis Leira Pereira.

Por que choras companheiro?

E já começamos com polêmica, mas mais do que isso, é um convite a reflexão, será que não estamos reclamando muito e agindo pouco???

Sejam bem vindos ao canal Cliniquei Farmácia

É com grande prazer que o Centro de Pesquisa em Assistência Farmacêutica e Farmácia Clínica - CPAFF apresenta nosso canal do youtube.