Faculdade de Ciências
Farmacêuticas de Ribeirão Preto

Universidade de São Paulo

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Resenhas

Cuidar de pessoas faz bem

E o CPAFF vem desejar a todos uma feliz Páscoa!!
Independente da sua religião ou ausência dela é muito importante parar um pouco e refletir sobre alguns aspectos de nossos caminhos dentro da profissão farmacêutica, e por que não de nossas aspectos de nossa vida??

Pensando nisso, e para dar aquela amarrada no assunto discutido na semana sobre acompanhamento farmacoterapêutico, o Clinique Farmácia trouxe um vídeo de um relato sobre o início e desenvolvimento de um serviço de Acompanhamento Farmacoterapêutico, que teve a participação de um dos integrantes do CPAFF.

Acompanhamento Farmacoterapêutico

ERRATA: Cometemos um pequeno equívoco, o certo é resolução CFF 585/2013 e não 589 conforme mencionado.

Os inúmeros erros de medicação, internações devido a intoxicações por uso incorreto de medicamentos e ineficácia terapêutica promovendo progressão de muitas doenças criaram uma demanda que levou o Conselho Federal de Farmácia a entender a importância do profissional farmacêutico em atividades clínicas e assim elaborou a resolução 585/2013, atribuindo ao farmacêutico a possibilidade de atuar em atividades clínicas.

Dentre estas atividades, gostaríamos de destacar o acompanhamento farmacoterapêutico que é um processo no qual o farmacêutico se responsabiliza pelas necessidades do usuário relacionadas ao medicamento, por meio da detecção, prevenção e resolução de problemas relacionados aos medicamentos, de forma sistemática, contínua e documentada, com o objetivo de alcançar resultados definidos, buscando a melhoria da qualidade de vida do usuário (definição do Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica, 2002).

No entanto, não há oferta de serviço suficiente para todos os consumidores de medicamentos, assim cabe ao farmacêutico selecionar e oferecer o serviço àqueles que necessitem mais. Pensando nisso, o CPAFF desenvolveu um formulário para a seleção de pacientes hipertensão para incluí-los em um serviço com acompanhamento farmacoterapêutico.

Este estudo foi desenvolvido pela nossa ex-aluna e atual docente da Universidade Federal do Piauí, Bia Girolineto. Se vocês quiserem conhecer mais sobre o instrumento, é só entrar em contato com ela.

Autora: Dr. Beatriz Maria Pereira Girolineto
http://lattes.cnpq.br/7913361822561228

Que idioma é esse? Prescrições médicas

Prescrição de medicamentos

O uso de medicamentos é fundamental para o tratamento de muitas doenças, porém apresenta riscos, especialmente quando ocorre de forma irracional. A prescrição é um componente fundamental para que o uso do medicamento seja racional.

Uma boa prescrição deve conter o mínimo de medicamentos necessários com a menor chance ocorrência de reações adversas, inexistência de contraindicações, ação rápida, forma farmacêutica adequada ao perfil do paciente, posologia simples e uso pelo menor período possível. A prescrição de medicamentos deve considerar não apenas a doença e os medicamentos, mas também as características sociais e econômicas do paciente. O prescritor precisa levar em consideração, por exemplo, se o medicamento é fornecido pelo SUS, se o paciente tem condição de comprar, se o paciente tem a instrução necessária para administrar o medicamento corretamente ou se possui um cuidador, portanto a prescrição é um documento individual e intransferível.

No Brasil, a Lei nº 5.991/1973 regulamenta quais informações devem obrigatoriamente estar contidas na prescrição para que o medicamento possa ser dispensado. Esta lei foi criada com a finalidade de prevenir erros de medicação e fornecer valor jurídico à prescrição.

De acordo com a legislação, a prescrição de medicamentos deve estar escrita em português e com letra legível, para garantir que o paciente e o farmacêutico compreendam claramente a decisão terapêutica e o modo de administração do medicamento. A escrita a tinta é obrigatória, porque dificulta a ocorrência de falsificações.

A prescrição também deve conter informações específicas sobre o paciente para quem foi emitida (nome e endereço). A falta de identificação do paciente facilita a ocorrência de fraudes e falsificações, promovendo o uso abusivo ou ilícito de medicamentos. Além disso, a falta de informações do paciente compromete o contato da farmácia após a dispensação, caso seja necessário.

A identificação do prescritor (nome, endereço, número de inscrição no conselho profissional e assinatura) também é exigida para possibilitar o contato do paciente e do farmacêutico com o prescritor em caso de dúvidas e para responsabilizá-lo em caso de erro médico.

As informações sobre os medicamentos prescritos (forma farmacêutica, dose, via de administração, posologia e duração do tratamento) também são obrigatórias pela legislação.

Um mesmo fármaco pode ser comercializado em diferentes formas farmacêuticas e doses. A falta destes itens em uma prescrição pode fazer com que o medicamento errado seja dispensado, podendo provocar sérias consequências para a saúde do paciente.

A presença da via de administração também é fundamental para que o paciente não administre o medicamento por uma via contraindicada, expondo-se a danos que podem ser letais.

A posologia ausente ou incompleta é capaz de gerar dúvidas, pois deixa de informar algumas questões importantes para o uso correto do medicamento, como: horários de tomada, interações com alimentos, modo de preparo e número de tomadas ao dia. Um paciente com dúvidas pode descontinuar a terapia ou alterar a posologia segundo a sua própria percepção, provocando ineficácia do tratamento ou complicações no quadro de saúde. Quando a posologia é incompreensível, é fundamental que o farmacêutico entre em contato com o prescritor para maiores esclarecimentos, barrando erros potenciais.

A omissão da duração do tratamento pode fazer com que o paciente pare de utilizar o medicamento antes do período ideal, dessa forma o medicamento poderá não ter o resultado desejado. No caso dos antimicrobianos, a ausência da duração do tratamento pode provocar o desenvolvimento de resistência microbiana e trazer graves problemas à saúde do paciente.

A presença da data da prescrição é exigida por lei e há um período de validade para a receita, que é variável conforme o tipo de medicamente prescrito. Este período assegura que o paciente irá retornar ao médico para reavaliar como está a sua doença e adequar os seus medicamentos, além de evitar uso abusivo dos medicamentos prescritos.

A legislação exige que as prescrições de medicamentos não contenham nenhum tipo de abreviatura, sigla ou símbolo, porque eles podem causar dúvidas e interpretações erradas na dispensação e utilização do medicamento e, consequentemente, provocar erros.

Também é desejável, especialmente para as prescrições do SUS, que os medicamentos sejam prescritos pelo seu nome oficial, pois as farmácias das Unidades de Saúde não estão autorizadas a dispensar medicamentos que estejam prescritos pelo nome comercial. A prescrição pelo nome oficial permite que o paciente retire os seus medicamentos gratuitamente ou que pague um preço menor por ele, adquirindo o genérico, o que favorece a adesão ao tratamento.

Os medicamentos de uso controlado e os antimicrobianos possuem recomendações de prescrição específicas descritas na portaria nº 344/1998 e na RDC nº 20/2011, respectivamente, como prescrição em duas vias, em receitas de controle especial e acompanhadas de notificações de receita. O controle destes medicamentos é maior porque o seu uso irracional tem potencial para provocar consequências ainda mais preocupantes, como dependência física ou química e surgimento de microrganismos multirresistentes.

É fundamental que o farmacêutico conheça todas as legislações que envolvem a prescrição de medicamentos, entenda as particularidades dos medicamentos controlados e antimicrobianos e verifique a conformidade da prescrição com os itens exigidos pela lei antes da dispensação, pois isto irá barrar erros que comprometem a adesão ao tratamento e favorecem o aparecimento de reações adversas e falhas terapêuticas.

A educação e atualização dos médicos e farmacêuticos são essenciais para que eles enxerguem a prescrição como um documento importante da farmacoterapia, que promove a diminuição de erros e a segurança do paciente. Não basta um diagnóstico correto se a prescrição não for preparada de forma racional, contendo o medicamento mais adequado às necessidades do paciente e todos as informações exigidas pela lei.

Autora: Me. Maria Olívia Barboza Zanetti
http://lattes.cnpq.br/2969504055599116

Dispensar pra quê?

As profissões têm passado por mudanças substanciais ao longo da história para que as práticas profissionais consigam atender às constantes mudanças nas necessidades da população. Assim também tem acontecido com o papel do farmacêutico na sociedade. Quando atendia nas boticas, a atuação do farmacêutico era mais artesanal e as formulações produzidas consideravam as necessidades específicas de cada indivíduo. Mas com a rápida ampliação do arsenal terapêutico e o desenvolvimento de novas tecnologias, os problemas de saúde relacionados ao uso inadequado dos medicamentos aumentaram, gerando a demanda pela reinserção do farmacêutico no processo de cuidado e na sua integração à equipe de saúde. Isso caracterizou o início da fase de cuidado da profissão farmacêutica e representou uma oportunidade de ressignificação da dispensação [1].

Recentemente, a Lei n.º 13021/2014 visou assegurar ao farmacêutico mais autonomia no contexto administrativo das farmácias, caracterizando-as como estabelecimentos de saúde. Em adição, o Conselho Federal de Farmácia, ao definir o arcabouço conceitual dos serviços farmacêuticos no país, reafirmou a dispensação como um ato privativo do farmacêutico que busca proporcionar a segurança, o acesso e uso racional dos medicamentos, reforçando o caráter de serviço de saúde que a dispensação tem na promoção do cuidado ao paciente, à família e à comunidade [2].

Apesar disso, o exercício da dispensação no Brasil ainda está se limitando a um simples ato de entrega. As atividades administrativas consomem parcela significativa da carga horária de trabalho do farmacêutico que atua em farmácias, diminuindo sua disponibilidade para os serviços clínicos. Nesse sentido, pesquisas realizadas no Brasil mostram que a finalização de vendas no caixa, a organização de prateleiras e a limpeza do estabelecimento fazem parte da rotina de trabalho do farmacêutico nas farmácias [3,4].

Embora essa realidade possa ser parcialmente explicada pelo formato fordista que configurou a dispensação após o avanço industrial do século passado, isso também pode estar relacionado com a insuficiência no preparo do farmacêutico para a realização de serviços farmacêuticos clínicos. Estudos realizados por Reis et al [4,5,6] evidenciam que cerca de três em cada quatro farmacêuticos vinculados a farmácias do setor privado não possuem conhecimento satisfatório para realizar adequadamente serviços clínicos como a dispensação. A formação em Farmácia, ainda essencialmente tecnicista, parece ser um obstáculo ao enfrentamento das estratégias de mercado que favorecem práticas inadequadas como a “empurroterapia”.

Além disso, a carência de recursos humanos qualificados para realização efetiva da dispensação e a falta de estrutura física adequada em alguns estabelecimentos de saúde desfavorecem a oferta do serviço à população, sobremaneira no setor público. Dessa forma, Reis e Pereira [7] afirmam que o papel do farmacêutico na dispensação precisa ser melhor definido e sugerem uma remodelação do fluxo de trabalho desse profissional para promover a inserção do farmacêutico na equipe de saúde e no processo de cuidado integral à saúde do usuário de medicamentos. Assim, a dispensação terá condições para alcançar, de fato, seus objetivos enquanto serviço de saúde.

REFERÊNCIAS
1. Pereira ML, Nascimento MMG. From the apothecary to pharmaceutical care: perspectives of the pharmacist. Braz J Pharm. 2011; 92(4): 245-52.
2. Conselho Federal de Farmácia. Serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente, à família e à comunidade: contextualização e arcabouço conceitual / Conselho Federal de Farmácia. – Brasília: Conselho Federal de Farmácia, 2016.
3. Nagassaki E, Fukuda EK, Yamacita FY, Perez GS, Camargo EA, Souza JMC. Avaliação da formação acadêmica dos farmacêuticos atuantes em farmácias de Londrina - PR. Infarma. 2002;3(14):54-5.
4. Reis TM, Guidoni CM, Girotto E, Rascado RR, Mastroianni PC, Cruciol JM, Pereira LRL. Pharmaceutical care in Brazilian community pharmacies: Knowledge and practice. Afr J Pharm Pharmacol. 2015;9(9):287-94.
5. Reis TM, Guidoni CM, Girotto E, Rascado RR, Mastroianni PC, Cruciol JM, Pereira LRL. Knowledge and conduct of pharmacists for dispensing of drugs in community pharmacies: a cross-sectional study. Braz J Pharm Sci. 2015;51(3):733-44.
6. Reis TM, Rocha KSS, Barros I, Santos L, Paixao FP, Almeida FHO, Lyra Junior DP, Pereira LRL. Pharmacists' Skills in Conducting Clinical Services in Community Pharmacies in Urban Areas of Northeast Brazil. Lat Am J Pharm. 2015;34(4):725-31.
7. Reis TM, Pereira ML. The Brazilian Pharmacist’s role in dispensing Drugs in the Pharmaceutical Care Scenario. J Appl Pharm Sci – JAPHAC. 2016;3(S1):11–3

Autor: Dr. Tiago Marques dos Reis
http://lattes.cnpq.br/8953945087467294

Farmácia Clínica e coisa e tal!

Esta semana falamos sobre Farmácia Clínica e suas origens e conceitos, com participação especial de nosso chefe prof. Leonardo Régis Leira Pereira.

Por que choras companheiro?

E já começamos com polêmica, mas mais do que isso, é um convite a reflexão, será que não estamos reclamando muito e agindo pouco???

Sejam bem vindos ao canal Cliniquei Farmácia

É com grande prazer que o Centro de Pesquisa em Assistência Farmacêutica e Farmácia Clínica - CPAFF apresenta nosso canal do youtube.